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  • Vinho dos Mortos



    Vinhos Quem hoje chega a Boticas e pedir um copo de "Vinho dos Mortos" pode ter dificuldades em o encontrar. Daquele que foi um dos ex-libris do concelho, já poucos viticultores produzem. Mas, para impedir a sua extinção, a Cooperativa Agrícola de Boticas (Capolib), com o apoio da autarquia local, está a desenvolver um plano que passa pela recuperação e preservação do vinho, outrora com muitos apreciadores.

    Para já, a cooperativa inscreveu a marca "Vinho dos Mortos" no Registo Nacional de Propriedade Industrial e está a promover um estudo que visa a zonagem ideal e identificação das castas para a produção deste vinho. A ideia é apresentar ao Programa Operacional do Norte uma candidatura que viabilize a execução no terreno de todo o trabalho projectado, o que deverá acontecer já em 2004.



    Para já, estão definidas as áreas por excelência destinadas à produção de "Vinhos dos Mortos", ou "Mortos de Boticas", na versão popular. Assim, as freguesias de Boticas, Granja, uma parcela de Bessa, Quintas, Pinho, Valdegas e Sapelos farão parte desta micro-região vinhateira. As vinhas estarão situadas numa altitude média de 500 metros.



    Segundo o presidente da Capolib, Albano Álvares, existem referenciados cerca de 50 viticultores que poderão ficar habilitados pela Cooperativa a produzir vinho branco (castas Malvasia Fina e Bastardo Branco) e tinto.



    Sublinhou que haverá a preocupação de criar um vinho standard nas características organolépticas e, além disso, indicou que será criada a Associação de Produtores de Vinho dos Mortos que terá, na própria cooperativa, uma estrutura que lhe permitirá a recolha, tratamento, engarrafamento e rotulagem das suas colheitas.



    Segundo Albano Álvares, a figura do Guerreiro Galaico ficará associada à própria imagem comercial do vinho: "Além de toda a história de bravura que existe em torno deste Guerreiro, queremos também dar a noção ao consumidor que a produção deste vinho é ancestral".



    Em paralelo, a Câmara Municipal de Boticas está a criar na Granja um espaço onde será recriada a elaboração dos "Mortos de Boticas". O visitante terá a possibilidade de ver uma vinha, um lagar, as pipas e seguir o método que lhe empresta o nome.



    As garrafas são enterradas ("sepultadas") no solo, na vertical, em caves frescas e tapadas, ou não, com areia. A ausência de luz directa nas garrafas – dizem os enólogos – poderá emprestar ao vinho algumas particularidades.



    O processo teve origem na época das Invasões Napoleónicas quando os agricultores, para esconderem os seus vinhos da pilhagem dos franceses, enterravam-no (há quem diga nos cemitérios). Quando as tropas invasoras abandonaram a região, os agricultores verificaram que o vinho então escondido era muito melhor.


    Fonte: Jornal de Notícias